A Palavra de Deus do VI Domingo de Páscoa convida-nos a reflectir sobre o Amor de Deus, um amor que é dom, serviço, doação e missão.
I LEITURA (Act 10,25-26.34-35.44-48)
Na primeira Leitura, constituída por vários versículos dos Actos do Apóstolos, Lucas relata-nos o episódio da conversão e baptismo do centurião romano Cornélio e de toda a sua família, um acontecimento que marca o momento em que a Igreja primitiva, impulsionada pelo Espírito Santo, se abre aos pagãos, admitindo-os no seu seio em igualdade de condições com os judeus.
A inclusão de Cornélio na comunidade cristã deixa bem claro que a salvação anunciada por Jesus Cristo não se destina exclusivamente aos Judeus, mas a todos que, pelo anúncio da Boa Nova, se convertam. O amor de Deus é um amor universal e incondicional, pois Deus não exclui ninguém. O Seu amor não distingue raças ou culturas, é um amor inclusivo, pois Ele quer que todos se salvem porque a todos ama.
Os cristãos, pela sua circunstância de seguidores de Cristo, devem assumir uma dinâmica missionária, que passa, necessariamente, pelo anúncio a todos, sem excepção, do Amor de Deus e da salvação oferecida através de Jesus Cristo.
II LEITURA (1 Jo 4,7-10)
Neste tempo Pascal continuamos a ler a primeira carta de S. João. Nesta segunda leitura, o autor dá-nos a conhecer uma das mais expressivas definições de Deus: DEUS É AMOR.
João não se limite a definir Deus como amor, mas apresenta a prova verdadeira que o leva a fazer tal afirmação: “não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados”.
É convicção de S. João de que quem não ama não pode conhecer o Deus amor. E conhecer Deus, ou seja, viver uma relação próxima e íntima com Deus, implica deixar que o seu amor se manifeste em nós, principalmente através das nossas obras.
Os cristãos, que pelo baptismo são incorporados em Cristo e considerados Filhos de Deus, de um Deus que é Amor, não podem guardar egoisticamente o amor recebido gratuitamente, mas têm a missão de o transmitir por palavras e, sobretudo, por acções concretas de entrega e serviço aos outros irmãos.
Evangelho (Jo 15,9-17)
O texto do Evangelho de hoje insere-se no discurso de despedida que Jesus fez aos seus discípulos, na véspera da sua Paixão e Morte.
Nesse discurso, que teve lugar durante a Última Ceia, Jesus transmite aos discípulos que é o Amor, o mesmo amor com que o Pai o amou e Ele amou os homens, que os identifica com Ele e, ao mesmo tempo, fundamenta a sua missão. Por isso, os discípulos devem permanecer no seu amor, para que assim como Ele permaneceu no amor do Pai cumprindo a sua vontade, também eles permaneçam no Seu amor cumprindo os seus mandamentos.
“Que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei” é o mandamento novo dado por Jesus Cristo. O Antigo Testamento dizia que nos deveríamos “amar uns aos outros”, mas Jesus Cristo complementa com “como eu vos amei”, dando-lhe uma nova dimensão. Agora, Jesus propõe como lei o amor, não de uma qualquer forma, mas justamente como Ele nos amou até ao extremo, até dar a sua vida na cruz.
Por fim, Jesus disse o que espera dos seus discípulos, quando afirmou “eu vos escolhi e vos designei para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça”. Este é o caminho de discipulado que Jesus espera de todos os baptizados, esta é a missão que Jesus incumbe aos seus discípulos de todos os tempos.
Cumprir o mandamento do amor dado por Jesus não é tarefa fácil, pois requer de cada cristão, como “amigo” de Jesus, o compromisso sério de dar testemunho do Amor de Deus e uma capacidade infinita de servir e se dar aos outros.