Continuamos a apresentar algumas das mensagens transmitidas nas intervenções do Papa Leão XIV, as quais, pelo seu conteúdo teológico e social, convidam a uma reflexão.
Num centro prisional em Barcelona
Dois testemunhos de presos: Montse contou ter redescoberto a fé justamente durante o período de encarceramento; Josefina, por sua vez, recordou a educação cristã recebida desde a infância e afirmou que, mesmo nos momentos mais difíceis de sua vida, especialmente após o grave acidente sofrido por seu filho, jamais deixou de perceber a presença de Deus. Hoje, segundo relatou, é essa mesma fé que lhe dá força para enfrentar a experiência da prisão e continuar olhando para o futuro com esperança.
O Papa recordou que toda pessoa possui uma dignidade inviolável, porque é querida, criada e amada por Deus: “Não existe, portanto, nenhuma situação que faça com que o Senhor desvie o seu olhar de nós. É uma verdade consoladora que nos acompanha em todos os momentos e nos lembra como o seu amor misericordioso está sempre acima do bem ou do mal que tenhamos feito.”
“Queridos amigos e amigas, convido-os a continuar sonhando o sonho de Deus. A cada um de vocês digo: Deus o ama como você é, mas o sonha ainda melhor! O Senhor permite que todos nós recomeçemos sempre, pois ser humano e ser cristão não significa não cometer erros, mas crescer na capacidade de se converter, arrepender-se, corrigir-se e, acima de tudo, reconciliar-se e perdoar.”
Na oração do Santo Terço diante da imagem da Virgem de Montserrat:
“Peçamos a Maria, Rainha da Paz, que nos ensine a renunciar às palavras ofensivas, aos juízos temerários, à maledicência e às calúnias. E que aprendamos a zelar e a cultivar o amor na família, entre amigos, no local de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos e nas comunidades cristãs, para que o ódio dê lugar à esperança e à paz.”
Papa convidou os peregrinos a deporem aos pés de Maria tudo aquilo que endurece o coração. Cristo, recordou, não salvou a humanidade pela força das armas, mas pela força “desarmada e desarmante” do amor. Por isso, exortou os fiéis a revestirem-se unicamente das “armas de Deus”, descritas por São Paulo como a verdade, a justiça, a fé e o Evangelho da paz.
Encontro com associações caritativas em Barcelona:
“Mais importante do que nos perguntarmos se seremos sacerdotes, médicos, professores, pais de família ou qualquer outra coisa, é importante perguntarmo-nos se queremos ser amigos de Jesus. Porque a amizade com Jesus nos dá alegria, torna-nos livres e ajuda-nos a ver, pouco a pouco, a vocação e o caminho que Deus pensou para cada um.”
“O futebol também nos ajuda a recordar algo muito importante: é um jogo de equipe e é preciso aprender a viver dessa forma. Quem pensa que pode ser uma estrela, mas nunca passa a bola, deixando os outros fora do jogo, provavelmente vai perder. Por isso, também para nós, é importante pensar que estamos em uma equipe. Quero reconhecer e felicitar todos pelo trabalho que realizam aqui.”
“O amor que recebemos deve ser retribuído com o mesmo amor, cuidando e acompanhando os nossos avós na velhice. “
“Não permitamos que a solidão e o abandono se normalizem na vida dos idosos. Isso é muito triste”.
Cada comunidade eclesial diocesana é chamada a aproximar-se das feridas e necessidades dos pequenos e vulneráveis, para aliviar os seus sofrimentos e remediar a sua pobreza, “sobretudo nos tempos que vivemos, em que parece ter-se perdido o sentido da dignidade sagrada do ser humano”. Dignidade esta “que não depende das capacidades que possui, das riquezas que acumula ou do papel que desempenha”.
Na Basílica da Sagrada Família
“Esta igreja é um edifício único, constituído por muitas pedras. Uma casa que cresce continuamente ao longo dos anos, seguindo um mesmo projeto. Todos nós somos as pedras vivas desta obra, que tem Cristo como fundamento e ápice, princípio e fim. Muito mais do que um monumento, a Basílica da Sagrada Família continua a ser hoje uma obra em construção, que nos lembra como a vida cristã é sempre um caminho, porque se trata de um projeto que é levado a cabo por Deus.”
“Feito homem, Ele torna-se para nós o Emanuel, fonte de graça, perdão, salvação e vida nova. Queridos irmãos, não podemos acreditar em Jesus e promover a guerra. Não podemos acreditar em Jesus e matar o inocente. Não podemos acreditar em Jesus e abandonar quem sofre, quem chora, quem foge da miséria. Por isso, recordemos nesta tarde que a Cruz de Cristo que coroa esta basílica, é a Cruz dos últimos que se tornam os primeiros, dos pecadores que se tornam santos, dos mortos que ressuscitarão.”
“Como arquiteto ardente de fé, o venerável Antoni Gaudí concebeu estes espaços com o desejo de narrar os mistérios da vida do Senhor: assim, propôs uma peregrinação espiritual, que conduz ao encontro com Cristo nascido, morto e ressuscitado por nós. Esta tarde, com Gaudí, de quem recordamos o centenário da morte, lembramos e agradecemos todos os promotores e benfeitores, os artistas e trabalhadores que cooperam na construção de uma obra-prima de arquitetura, que é também uma catequese eloquente feita de pedras, cores e luz.”