Evangelho de Mateus 13,47-53

O Reino dos céus é como uma rede lançada ao mar que apanha todo tipo de peixes. Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam. Assim acontecerá no fim dos tempos, disse Jesus.

Como viver esse Evangelho no dia de hoje?

Jogam fora os que não prestam. O que significa não prestar para Deus? É levar os outros a pecar, desperdiçar a vida recebida, recusando-se a amar, a perdoar e a fazer o bem. O Senhor, porém, nunca deixa de oferecer a graça do perdão àqueles que desejam recomeçar.

As palavras dos Papas

No Evangelho, Jesus fala do discernimento com imagens tiradas da vida comum; por exemplo, descreve os pescadores que selecionam os peixes bons e descartam os maus (…) É preciso inteligência, perícia e também vontade para fazer uma boa escolha. E há ainda um custo necessário para que o discernimento se torne viável. Para desempenhar a sua profissão da melhor forma, o pescador tem em consideração o cansaço, as longas noites passadas no mar, e além disso descarta uma parte da pesca, aceitando uma perda do lucro para o bem daqueles a quem se destina. (…) Cada um deve tomar decisões; não há ninguém que as tome por nós. Numa certa altura os adultos, livres, podem pedir conselhos, pensar, mas a decisão é pessoal; não se pode dizer: “Perdi isto, porque o meu marido decidiu, a minha esposa decidiu, o meu irmão decidiu”: não! Tu deves decidir, cada um de nós deve decidir (…) No juízo final Deus fará um discernimento – um grande discernimento – em relação a nós. (…) E, numa decisão boa, certa, encontra-se a vontade de Deus com a nossa vontade (…) O discernimento é árduo, mas indispensável para viver. Requer que eu me conheça, que saiba o que é bom para mim aqui e agora. Exige sobretudo uma relação filial com Deus. Deus é Pai e não nos deixa sozinhos, está sempre disposto a aconselhar-nos, a encorajar-nos, a acolher-nos. Mas nunca impõe a sua vontade. Por quê? Porque quer ser amado, não temido. E Deus também quer que sejamos filhos, não escravos: filhos livres. E o amor só pode ser vivido na liberdade. (…) Peçamos que o Espírito Santo nos guie! Invoquemo-lo todos os dias, especialmente quando devemos fazer escolhas. Obrigado! (Papa Francisco, Audiência Geral de 31 de agosto de 2022)