A vocação adulta pode ser não apenas um novo desafio para as instituições, mas também uma oportunidade para que elas próprias revejam seus modelos formativos.
Mais do que formar adultos para caberem em estruturas previamente estabelecidas, trata-se de construir estruturas suficientemente maduras para acolher, discernir e acompanhar adultos que desejam responder livremente ao Evangelho.
O aumento de vocacionados adultos não deveria ser interpretado apenas como uma resposta pragmática à diminuição das vocações jovens, nem como uma estratégia para recompor numericamente seminários e congregações.
Se a vocação é compreendida como experiência de discernimento e resposta livre a um chamado, o adulto não pode ser reduzido a uma “solução” para a crise numérica das instituições.
O desafio consiste em discernir a autenticidade de sua opção e, simultaneamente, verificar se a instituição possui condições humanas, espirituais e comunitárias para acolher e formar alguém cuja história já apresenta significativa consolidação.
A questão decisiva não é simplesmente quantos ingressam, mas quem ingressa, por quais razões, com quais expectativas e em que tipo de comunidade será inserido.
Eliseu Wisniewski (Formado em teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná.)