Nota do Bispo do Porto sobre o drama dos incêndios

Nota episcopal O drama dos incêndios e o contributo dos cristãos Perante a situação calamitosa dos incêndios em Portugal, com triste destaque para a área desta Diocese do Porto, venho, por este meio, solidarizar-me com quantos sofrem os seus efeitos: os familiares dos mortos e feridos; os que veem desaparecer num instante as suas casas e bens que tanto custaram a ganhar; as Autoridades e os Bombeiros, cansados e exaustos por uma situação que se prolonga há já vários dias; os que os ajudam com os poucos meios que têm à mão; os que lhes fornecem comida e água; os que amam a natureza, obra de Deus, e agora nada mais podem contemplar que não seja a destruição, obra do homem; os que sofrem doenças graves por causa dos fumos; os que têm de suportar as estradas cortadas e ficam sem meios de transporte para chegarem ao seu local de trabalho; enfim, os que vivem este pesadelo na sua própria pele. Apelo a todos para que se tenha um cuidado redobrado para que não aconteçam mais casos. Que ninguém se esqueça que, moralmente, a vida ou os bens retirados aos outros por causa do fogo posto tem a mesma gravidade que o homicídio ou o roubo. Perante esta situação tão dolorosa, ouso mesmo pedir que se colabore com as forças de segurança e policiais para a identificação dos pirómanos e dos incendiários que o fazem por maldade. Apelo também aos agentes pastorais que observem de perto os dramas e intentem uma primeira ajuda ou solução, particularmente aos que perdem tudo. Por exemplo, mediante um ofertório específico para esse fim que fica autorizado desde já. E aos cristãos em geral, que exerçam uma solidariedade ativa e uma partilha de bens, se a situação assim o exigir. + Manuel, Bispo do Porto
O verdadeiro encontro com Jesus transforma a vida
No domingo (15/09), durante a alocução que precede a oração mariana do Angelus na Praça São Pedro, o Papa Francisco refletiu sobre o Evangelho de São Marcos e sublinhou a importância de uma verdadeira relação pessoal com Jesus, que vai além do simples conhecimento teórico. Diante da pergunta de Jesus aos discípulos, presente na liturgia de hoje: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mc 8,29), o Pontífice destacou que Pedro respondeu corretamente, afirmando que Jesus é o Cristo. No entanto, logo em seguida, ao ouvir sobre o sofrimento e a morte do Senhor, Pedro se opôs, demonstrando que sua compreensão ainda era limitada pela visão humana e mundana. Conhecer Jesus verdadeiramente Segundo Francisco, conhecer Jesus não se resume a ter informações teóricas sobre Ele, recitar orações ou saber responder corretamente a perguntas de catecismo: “Na realidade, para conhecer o Senhor, não basta saber algo sobre Ele, é preciso segui-Lo, deixar-se tocar e mudar pelo Seu Evangelho. Trata-se de ter com Ele uma relação, um encontro que transforma a vida.” O Pontífice então reforçou que essa transformação autêntica leva a mudanças profundas: “Eu posso conhecer muitas coisas sobre Jesus, mas se não O encontrei, ainda não sei quem é Jesus. É necessário esse encontro que muda a vida: muda o modo de ser, muda o modo de pensar, muda as relações que você tem com os irmãos, a disposição para acolher e perdoar, muda as escolhas que você faz na vida. Tudo muda se você realmente conheceu Jesus! Tudo muda.” Deixar-se “incomodar” pelo Evangelho Referindo-se às palavras de Dietrich Bonhoeffer, pastor luterano que se opôs ao nazismo, quando afirmou “O problema que nunca me deixa tranquilo é o de saber o que o cristianismo realmente é para nós hoje, ou mesmo quem é Cristo”, o Santo Padre alertou contra o perigo de uma fé que se mantém estática e longe de Deus, pois “infelizmente, muitos já não se fazem mais essa pergunta e permanecem tranquilos, adormecidos, mesmo longe de Deus”. E, em seguida, fez um convite aos fiéis a se questionarem: “Eu me deixo incomodar? Eu me questiono sobre quem é Jesus para mim e qual é o lugar que Ele ocupa na minha vida? Que nossa mãe Maria, que conhecia bem Jesus, nos ajude com essa pergunta”, concluiu o Papa Francisco.
XXIV Domingo do Tempo Comum

A Palavra de Deus do XXIV Domingo do Tempo Comum apresenta-nos textos que nos ajudam a aprofundar e a viver de forma mais consciente e empenhada a fé que professamos e, ao mesmo tempo, convida-nos a reflectir sobre a nossa fidelidade a Deus. I Leitura (Is 50,5-9) O autor da primeira leitura, que é constituída por uma parte do terceiro “Cântico do Servo “, apresenta o servo do Senhor, que recebeu bons ouvidos para escutar a voz de Deus e acolheu e respondeu ao seu chamamento. Apesar das dificuldades e sofrimentos que teve de enfrentar para cumprir a sua missão, o servo não vacila e mantém inabalável a sua fé e confiança em Deus. Diante da humilhação e violência física a que foi sujeito, ele mantém-se seguro porque está convencido de que tem Deus como defensor, que o auxiliará a combater todos os ataques e acusações dos seus adversários. Ele confia plenamente que vencerá todos os obstáculos, pois acredita que Deus está com ele. O que o profeta diz sobre o servo do Senhor será, muitos séculos depois, vivido por Jesus na incompreensão dos seus contemporâneos, no seu sofrimento e na sua morte e ressurreição. Como o Servo do Senhor, os cristãos que, muitas vezes, vacilam ante a primeira adversidade, devem ter confiança plena em Deus e a certeza de que Ele vem em seu auxílio e os ajudará a vencer todas as dificuldades. II Leitura (Tg 2,14-18) Continuamos este domingo a ler parte do magnifico texto da Carta de S. Tiago. Desta vez, S. Tiago diz-nos que a fé não pode ser vivida apenas por palavras, nem de forma individual, mas tem de ser concretizada por obras (acções de partilha, de solidariedade e de amor aos outros), doutra forma, “…a fé sem obras está completamente morta”. S. Tiago recorda a necessidade de viver uma vida coerente com a fé que se professa. Quem reduz a sua fé a meras teorias, crenças, fórmulas e palavras que não se traduzem em acções concretas de compromisso com Deus e com o próximo não tem uma fé viva, mas morta. S. Tiago, através da pergunta colocada no início do texto – “De que serve a alguém dizer que tem fé, se não tem obras?” – interpela os cristãos de todos os tempos sobre a forma como vivem a sua fé. Será que a vivem só com palavras e sem quaisquer obras? Será que manifestam a fé nas obras que fazem? Evangelho (Mc 8,27-35) O trecho do Evangelho deste domingo pode dividir-se em duas partes. Na primeira, Jesus coloca aos seus discípulos as seguintes questões: «Quem dizem os homens que Eu sou?…E vós, quem dizeis que eu sou?». Jesus com estas questões pretende saber se os homens e os discípulos entenderam bem a sua identidade e a sua verdadeira missão. Os homens consideram que é um homem igual a outros que o antecederam (Elias, João Baptista, Profetas), não entendendo a condição singular de Jesus. Os seus contemporâneos viam em Jesus um homem em continuação com o passado, não descobrindo ainda que ele era o Messias, o salvador prometido, que não veio para restaurar o Reino de Israel, mas instaurar o Reino de Deus. Quanto à opinião dos discípulos, Pedro, como porta-voz do grupo, respondeu com uma verdadeira confissão de fé: “Tu és o Messias”. Contudo, como na época o título de Messias podia ter significados bem diferentes, Jesus tem dúvidas que os discípulos o vissem como um Messias triunfalista que agisse segundo o conceito dos homens, em que predomina o individualismo, o egoísmo e o materialismo, e não o de Deus, em que tudo se edifica pela prática permanente do amor e da doação aos outros. De facto, Jesus é o Messias, mas a sua missão messiânica será vivida na linha da do servo sofredor de Isaías relatada na primeira leitura, o qual não apresentou qualquer resistência à missão confiada por Deus, realizando-a no meio das maiores adversidades e de muito sofrimento. Jesus dá então a conhecer aos discípulos que, no cumprimento da Missão que o Pai lhe confiou, tinha de sofrer, de ser rejeitado, de morrer e ressuscitar ao terceiro dia, fazendo assim o seu primeiro anúncio da Paixão, Morte e Ressurreição. Na segunda parte, Jesus faz o convite para que o sigam e estabelece as condições que devem observar para o fazer – «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Na verdade, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a vida, por causa de Mim e do Evangelho, salvá-la-á». Por isso, aqueles que queiram ser realmente seguidores de Cristo devem estar disponíveis para seguirem o seu exemplo, que renunciou a si mesmo e ofereceu a sua vida por amor aos outros. A pergunta que Jesus colocou aos seus discípulos, há mais de dois mil anos, é a mesma que hoje coloca a todos que se propõem segui-Lo: “E vós, quem dizeis que Eu sou?” Como respondemos a esta questão? Será que sabemos bem quem é Jesus Cristo e qual o lugar que Ele ocupa na nossa vida? XXIV DOMINGO DO TEMPO COMUM
Encontro de oração comunitária

Na próxima Terça-Feira, dia 17, às 20H45, haverá o encontro mensal de oração comunitária, que inclui os seguintes momentos: . Contemplação do Santíssimo Sacramento; – Testemunho – Vinha Rainho Brás (a) – Súplicas. No encontro deste mês, a nossa oração é pelas famílias que vivem no meio rural. (a) Nota biográfica: Filiação: Pai, que me ensinou a respeitar quem trabalha no campo; Mãe que me ensinou a acolher, escutar e não julgar os pobres. Eu própria: Cresci com vontade de saber sempre mais e de trabalhar com pessoas desfavorecidas do meio rural. Escolhi como inspiração o Amor, baseado no pedido de Jesus para que amemos os outros como a nós mesmos. Marido e companheiro: Alguém com a mesma inspiração, que também queria construir “um mundo justo e igual em cada irmão”; Na busca do bem comum partilhámos a vida toda, filhos, alegrias, penas e trabalhos.
O valor da verdadeira comunidade cristã

Mediante convite do Bispo de Viana, senhor D. Emílio Sumbelelo, e acompanhado do senhor P. Samuel Guedes, concedeu-me Deus a graça de me familiarizar mais de perto com a espiritualidade dos cristãos de Angola, na grande peregrinação da Mamã Muxima, Mamã do Coração ou Senhora da Conceição de Muxima. Foi muito enriquecedor esse contacto. Porque há valores e atitudes que são válidos em qualquer tempo ou contexto, gostava de assinalar: O espírito de sacrifício dos crentes que, em zona onde não há qualquer estrutura hoteleira ou comércio organizado, dormiram vários dias em tendas e comeram do pouco que levaram. A participação nas catequeses coletivas, porventura, um dos maiores meios de evangelização de muitas dessas pessoas. A boa harmonia entre a dimensão festiva da celebração, por exemplo, no ofertório, e o enorme silêncio e concentração nos outros momentos, mormente na consagração. A autêntica partilha de bens, à maneira da primitiva comunidade de Jerusalém. Ao longo de mais de vinte minutos, centenas e centenas de ofertantes passaram em frente do altar, sem sequer pararem, para apresentaram o que tinham: frutas, bolachas, águas engarrafadas, sacos de arroz, bancos ou cadeiras, sementes, objetos de decoração, etc., etc. Estas ofertas encheram dois grandes camiões. Como é belo os pobres a cuidar dos outros pobres! Neste clima, compreendi melhor a alegria dos missionários, portugueses ou de outras nacionalidades. Entendo agora a razão de muitos quererem lá permanecer para sempre. Chamou-me a atenção o respeito que o povo de Deus dedica a quem o serve: aos catequistas, sacerdotes e, obviamente, também aos bispos. Não veem a Igreja como fornecedora de serviços, mas como estrutura de comunhão e de ajuda. Vi um clero nativo muito jovem e os seminários cheios. E interroguei-me: não será este contexto de uma fé vivida, celebrada e tornada caridade que entusiasma os jovens? Muito gostaria que, em regime de completo voluntariado, os nossos seminaristas, e especialmente os Diáconos, bem como qualquer outro fiel leigo, realizassem, num destes países, o seu estágio pastoral. Seria muito enriquecedor. Fora do contexto da peregrinação, apercebi-me do relevo que as Paróquias concedem às (porventura, rudimentares) estruturas de saúde, quase sempre dirigidas por Religiosas, e às “cozinhas coletivas”, semelhante às nossas «portas solidárias» ou antiga Sopa dos Pobres. É isto que credita a Igreja. A nível da evangelização, aposta-se muito na rádio. A maior e mais ouvida é a Rádio Maria e a Rádio Eclésia. Mas existem muitas outras, de âmbito local. Sinal de uma «Igreja em saída», de uma Igreja que não perdeu o contacto com o seu povo. Agradeço às pessoas com quem contactamos os dons da simpatia e da alegria com que nos brindaram. Um agradecimento especial aos senhores D. Emílio Sumbelelo, Bispo de Viana, e a D. Filomeno Vieira Dias, Arcebispo de Luanda. + Manuel, Bispo do Porto