Os padrinhos – apontamentos da história

É elucidativo percorrer a história da Igreja e ver de que modo nos aparece desde cedo a figura e missão dos padrinhos e madrinhas. Em português temos uma obra preciosa para fazer esta pesquisa: a Antologia Litúrgica. Textos litúrgicos, patrísticos e canónicos do primeiro milénio, Fátima, SNL 2017 (sigla: AL). O primeiro a referir explicitamente os padrinhos é Tertuliano, ao findar do séc. II, no seu De Baptismo 18, 3. Chama-lhes «sponsores» porque são garantes e fiadores das crianças a batizar. Tertuliano desaconselha esse batismo, exceto em caso de necessidade, entre outros motivos para não fazer correr aos padrinhos o risco de faltarem às promessas feitas no caso de eles próprios morrerem ou de os afilhados se desviarem do bom caminho (AL 640). A Tradição Apostólica (c. 215-225), pouco posterior a Tertuliano, confia aos pais ou a alguém da família o encargo de responder pelas crianças incapazes de falar por si (TA 21: AL 795). Mas a TA refere outra figura importante para o nosso tema: os que trazem os candidatos ao catecumenado, membros conhecidos da comunidade, devem testemunhar acerca dos candidatos e suas motivações e aproveitamento quer na primeira apresentação (TA 15; AL 789) quer quando, após cerca de três anos de catecumenado, chegará a hora de examinar o seu progresso doutrinal, moral e espiritual em ordem à eleição para os sacramentos da Iniciação cristã (TA 20; AL 794). Compreende-se a importância destes «garantes», nomeadamente em tempo de perseguição, não só pelo valioso testemunho e precioso acompanhamento dos catecúmenos, mas também para filtrar hipotéticas infiltrações de eventuais delatores. A reserva que rodeava o processo da iniciação cristã e a correspondente disciplina do segredo, para além de finalidades pedagógicas tinha também uma função de defesa em tempos de clandestinidade. A propósito, observemos que estes garantes vão ser acolhidos no atual Ritual da Celebração da Iniciação cristã dos adultos, largamente inspirado na Tradição Apostólica. No século IV, obtida a liberdade de culto, multiplicam-se as referências aos padrinhos que assistem os batizandos. Astério, o Sofista, enaltece a responsabilidade do padrinho que faz renúncias e promessas em representação do afilhado, ainda bebé (AL 1314). Egéria, no seu diário de peregrina à Terra Santa (c. 383), fala dos padrinhos e madrinhas presentes nas catequeses pré-batismais, durante a Quaresma, a acompanhar os competentes que se preparam para o Batismo na próxima Páscoa (AL 1687, 1688, 1689). Os candidatos homens apresentavam-se com padrinhos, as mulheres com madrinhas, porventura porque deveriam acompanhar os afilhado(a)s à fonte batismal e ajudá-los a despirem-se para depois, à saída da água, os receberem e ajudarem a vestir-se (cf. Cânones de Hipólito, 19: AL 1378). Na mesma época, São João Crisóstomo dirige uma interessante mensagem aos padrinhos que ficam responsáveis pelos afilhados. Recorda-lhes que são fiadores: «Se os que prestam fiança de dinheiro a outrem ficam responsáveis em justiça pela integridade da soma, com mais forte razão os fiadores do espiritual, quando é um balanço espiritual que está em causa, devem mostrar grande vigilância, exortando, aconselhando, animando com grande afeto paternal» (Cat. II, 15; AL 2459). Era costume chamar aos padrinhos – recorda – «pais espirituais»; por isso, não podem ser negligentes (Cat. II, 16; AL 2460). A sua missão não acaba no dia do Batismo… Já em contexto de generalização do batismo de crianças, Santo Agostinho refere a intervenção dos padrinhos nos ritos, respondendo em vez dos afilhados crianças (A Graça de Cristo e o pecado original II 40, 45; AL 3254). Na famosa Carta 98 a Bonifácio, o santo pastor de Hipona sugere que a função de apresentar as crianças ao Batismo, respondendo por elas, competirá mais aos próprios pais do que a eventuais padrinhos (AL 3446, 3447, 3448, 3449); casos havia, porém, em que as crianças eram apresentadas por outros que sobre elas exerciam autoridade, como os senhores dos escravos e os tutores de órfãos ou de crianças abandonadas (AL 3448). Já no séc. V, o Pseudo-Dionísio Areopagita na sua Hierarquia Eclesiástica menciona a presença e missão do padrinho na celebração dos sacramentos da Iniciação cristã (AL 4569); compete-lhe receber o afilhado acabado de batizar e revesti-lo «com uma veste conveniente» (ibid.). Os padrinhos não são iniciados em vez das crianças mas simplesmente as representam. E sublinha-se a importância da sua missão que prosseguirá após a celebração do sacramento. Ao responderem pelas crianças, é como se dissessem: «“Prometo que quando esta criança puder entender as verdades sagradas, a instruirei e formarei com os meus ensinamentos, de tal modo que ela renuncie às tentações do Demónio e se obrigue a pôr em prática as santas promessas”. Não há, pois, nada de absurdo no facto de uma formação espiritual acompanhar o desenvolvimento da criança. Isto pressupõe, naturalmente, que haja um chefe e padrinho que forme santos hábitos na criança e a defenda das tentações do Diabo. O pontífice admite a criança a participar nos símbolos sagrados para que, com eles, se alimente espiritualmente, passe toda a vida em contínua contemplação dos sagrados mistérios, progrida espiritualmente ao estar em comunhão com eles, adquira uma santa e perseverante forma de vida e cresça, em santidade, guiado por um padrinho exemplar, cuja vida esteja em conformidade com Deus…» (AL 4590). (Secretariado Diocesano da Liturgia)
Na Adoração e oração dar espaço à voz do Espírito Santo
O Espírito Santo, para nós, é testemunha de “um diálogo belíssimo: aquele em que o Pai e Filho expressam seu amor um pelo outro”, disse o Papa Francisco antes de rezar o Regina Caeli no Domingo de Pentecostes. “São palavras – explicou aos milhares de peregrinos presentes na Praça São Pedro – que expressam sentimentos maravilhosos, como carinho, gratidão, confiança, misericórdia. Palavras que nos permitem conhecer um lindo relacionamento, luminoso, concreto e duradouro como é o Amor eterno de Deus”. Para Francisco, “são precisamente as palavras transformadoras de amor, que o Espírito Santo repete em nós e que nos faz bem ouvir”. “Por isso – continuou – é importante que nos alimentemos dele todos os dias, lendo e meditando a Palavra de Deus, levando-a conosco em um Evangelho de bolso, aproveitando os momentos favoráveis”. “O padre e poeta Clemente Rebora, falando da sua conversão, escreveu no seu diário: “E a Palavra calou as minhas murmurações!” – recordou o Papa –. Ouvir a Palavra de Deus silencia as murmurações.” “Eis como dar espaço em nós à voz do Espírito Santo – reiterou. E depois, na Adoração e na oração, especialmente aquela simples e silenciosa. E também ao pronunciarmos palavras boas entre nós, fazendo-nos eco da doce voz do Consolador”. Para o Pontífice, “ler e meditar o Evangelho, rezar em silêncio, dizer boas palavras, não são coisas difíceis, todos nós podemos fazer isso. É mais fácil do que insultar, ficar com raiva”. “E então nos perguntamos – acrescentou -: que lugar essas ações ocupam na minha vida? Mas como posso cultivá-la, para melhor escutar o Espírito Santo e torne-se seu eco para os outros?”. “Que Maria, presente no Pentecostes com os Apóstolos, nos torne dóceis -à voz do Espírito Santo”, concluiu, para então rezar a oração do Regina Coeli.
Solenidade de Pentecostes
Cinquenta dias depois da Páscoa da Ressurreição do Senhor, celebramos neste Domingo a Solenidade de Pentecostes, que comemora a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, festa que encerra o Tempo Pascal. A Palavra de Deus tem como tema principal o Espírito Santo, Aquele que “…é o Senhor que dá Vida e procede do Pai do Filho; e como o Pai e o Filho é adorado e glorificado”, como professamos em todos os Dias do Senhor. O Espírito Santo, a terceira pessoa da Santíssima Trindade, continua a ser um desconhecido para muitos dos que professam a fé cristã. Uma parte dos cristãos reconhece o Deus Pai, relaciona-se com Deus Filho, Jesus Cristo, mas nem todos sentem a presença e a acção do Espírito Santo e a importância que Ele tem nas suas vidas. O nosso Deus é um Deus uno e trino, ou seja, um só Deus em três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. Assim, o Espírito Santo é Deus com o Pai e o Filho, e como o Pai e Filho recebe a mesma adoração e glória. Por isso, rezamos na oração da Glória: Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito, como era, no princípio, agora e sempre. Amém. Como relata a Sagrada Escritura, o Espírito Santo foi revelando a sua presença e manifestando a sua acção em momentos determinantes da História da Salvação: na criação, pairando sobre as águas, como força criadora de Deus, nas pessoas que foram decisivas para a condução do Povo de Israel, designadamente os patriarcas, profetas e reis, guiando a sua missão, em Maria, quando pelo seu poder Jesus Cristo foi concebido e no baptismo do Jordão, quando desceu sobre Jesus. Hoje, o Espírito Santo, prometido por Jesus e a quem designou como o Paráclito (advogado, defensor, consolador), continua a manifestar a Sua acção na Igreja e nos corações de todos os que acreditam em Jesus Cristo. I Leitura (Act.2,1-11) A primeira leitura começa por nos relatar o facto de os discípulos estarem reunidos no mesmo lugar, quando o Espírito Santo manifesta a sua presença, sob a forma de vento e de línguas de fogo que descem sobre cada um deles. Esta narração do Pentecostes no livro do Actos dos Apóstolos pretende ser uma catequese aos cristãos da Igreja primitiva que começavam a ter dúvidas sobre a sua adesão e fidelidade a Jesus Cristo. Na sua catequese, S. Lucas usa imagens e símbolos que não podem ser interpretados literalmente, mas têm de ser percebidos para que seja entendida a mensagem fundamental que o autor transmite neste texto. Lucas coloca a descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes, uma festa judaica antes de ser uma festa cristã. Primitivamente, esta festa judaica era uma festa agrícola, pela qual se agradecia a Deus as primeiras colheitas e, mais tarde, passou a ser a festa em que o judaísmo comemorava a dom da Lei ao povo no monte Sinai. Ao colocar a festa neste dia, S. Lucas sugere que o Espírito é a lei da nova Aliança e que é por Ele que se forma a comunidade nova do Povo de Deus. Além disso, utiliza simbolicamente o vento e o fogo, elementos característicos da manifestação de Deus no monte Sinai e que representam a Sua força, e a forma como o Espírito desceu, a língua de fogo. A língua é elemento de comunicação, pois é através da linguagem que nos relacionamos uns com os outros, que criamos a possibilidade de vivermos unidos e em comunhão. Esta vinda do Espírito Santo, conforme havia prometido Jesus Cristo (“…mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas (…) até aos confins da terra”), transforma radicalmente os discípulos, capacita-os e dá-lhes a força de Deus para começarem a missão de anunciar o Evangelho a todos os povos, dando assim início à actividade evangelizadora da Igreja. Este texto define claramente o que é a Igreja e qual é a sua missão: comunidade do Povo de Deus reunida à volta de Jesus Cristo e animada pelo Espírito Santo, cuja missão primordial é a de fazer o anúncio do Evangelho a todos os homens. II Leitura (1Cor 12,3-7.12-13) Paulo dirige-se à comunidade de Corinto, uma comunidade em que havia divisões entre os seus membros, para transmitir que é pela presença e acção do Espírito Santo que tudo se realiza. De facto, é necessária a sua presença e acção para compreender e fortalecer a fé em Cristo – “Ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor a não ser pela acção do Espírito Santo”. Nesta sua reflexão, Paulo compara a comunidade a um corpo com os seus diferentes membros. Esta metáfora ajuda a entender que numa comunidade, apesar da diversidade de dons, ministérios e actividades, cada um dos seus membros tem uma função específica e o conjunto de todos fazem parte de um só corpo. Os dons, ministérios e actividades são todos necessários e importantes, devendo, por isso, ser acolhidos como uma graça e colocados humildemente ao serviço da comunidade. Tomemos consciência de que todos somos membros do Corpo de Cristo e todos recebemos a mesma dignidade pelo Baptismo, para que, nas nossas comunidades, a união com Cristo e com os irmãos seja a prova de uma verdadeira comunhão e de uma autêntica unidade entre os cristãos. Evangelho (Jo 20,19-23) No domingo da Ressurreição, quando os Apóstolos se encontravam fechados, em casa, com medo dos Judeus, Cristo Ressuscitado apareceu e colocando-se no meio deles, no centro, disse-lhes: “A Paz esteja convosco”. Esta paz de Jesus Cristo não é a paz que o mundo dá, é a paz messiânica prometida, a verdadeira paz, aquela que traz harmonia, serenidade, confiança e alegria. Cristo ressuscitado torna os seus discípulos participantes da sua missão e envia-os para anunciar o Reino de Deus. Em seguida, sopra sobre eles a plenitude do Espírito, o que faz recordar o sopro de Deus na Criação, tornando-os participantes do mesmo Espírito, para que pela Sua acção possam ser continuadores da missão de Jesus Cristo
Os nomes do Espírito Santo
Nosso Senhor Jesus Cristo disse aos Apóstolos que deveria partir para que o “Paráclito” pudesse chegar. Por quais outros nomes conhecemos Deus, o Espírito Santo? O Catecismo da Igreja Católica esclarece como o Espírito Santo atua em nós: “Ninguém pode dizer: ‘Jesus é o Senhor!’ mas pela influência do Espírito Santo” ( 1Cor 12,3). “Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho que clama Aba , Pai!” ( Gl 4, 6). Este conhecimento da fé não é possível exceto no Espírito Santo. Para entrar em contato com Cristo é necessário primeiro ter sido atraído pelo Espírito Santo. É Ele quem nos precede e desperta em nós a fé ( CIC 683 ). E descreva como isso nos é comunicado: Através do Batismo, primeiro sacramento da fé, a vida, que tem a sua fonte no Pai e nos é oferecida através do Filho,é-nos comunicada íntima e pessoalmente pelo Espírito Santo na Igreja ( CIC 683 ). Mas por que o chamamos de Espírito Santo, ele tem outros nomes? Nomes do Espírito Santo O mesmo Catecismo nos esclarece: “’Espírito Santo’, tal é o nome próprio dAquele que adoramos e glorificamos com o Pai e o Filho. A Igreja recebeu este nome do Senhor e professa-o no Batismo dos seus novos filhos (cf. Mt 28, 19)” ( CIC 691 ). Acrescenta que “o termo ‘Espírito’ traduz o termo hebraico Ruah , que no seu primeiro significado significa sopro, ar, vento” ( CIC 691 ). E Jesus o chama de diferentes maneiras: PARÁCLITO Jesus, quando anuncia e promete a vinda do Espírito Santo, chama-o de “Paráclito”, literalmente “aquele que é chamado para estar ao lado”, advocatus ( Jo 14, 16, 26; 15, 26; 16, 7) ( CIC 692 ). “Paráclito” é geralmente traduzido como “consolador”, sendo Jesus o primeiro consolador (cf. 1 Jo 2, 1). O próprio Senhor chama o Espírito Santo de “Espírito da Verdade” ( Jo 16, 13) ( CIC 692 ). ESPÍRITO DE PROMESSA Além do seu nome próprio, que é o mais utilizado no livro de Atos e nas cartas dos Apóstolos, em São Paulo existem diversas denominações como “Espírito de promessa” ( CIC 693 ): E isto, para que a bênção de Abraão alcançasse todos os pagãos em Cristo Jesus, e recebêssemos pela fé o Espírito prometido ( Gl 3, 14 ). Nele, vocês, que ouviram a Palavra da verdade, a Boa Nova da salvação, e acreditaram nela, também foram marcados com o selo do Espírito Santo prometido. ( Ef 1:13 ) ESPÍRITO DE ADOÇÃO Somos reconhecidos como filhos adotivos de Deus através do Espírito que nos foi infundido: E vocês não receberam um espírito de escravos para voltarem ao medo, mas o espírito de filhos adotivos, que nos faz clamar a Deus. ( Romanos 8:15 ) E a prova de que sois filhos é que Deus infundiu em nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama a Deus chamando-o de “Abba!”, isto é, Pai! ( Gá 4, 6 ) ESPÍRITO DE CRISTO São Paulo reconhece a relação da Santíssima Trindade que intervém em nossas vidas: E se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus habita em vós, aquele que ressuscitou a Cristo Jesus também vivificará os vossos corpos mortais, através do mesmo Espírito que habita em vós. Aquele que não tem o Espírito de Cristo não pode ser de Cristo ( Romanos 8:9 ). ESPÍRITO DO SENHOR Novamente São Paulo explica aos Coríntios que não é possível viver sem o Espírito Santo, que é Deus. Porque o Senhor é o Espírito, e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade ( 2Co 3:17 ). ESPÍRITO DE DEUS Os romanos e coríntios compreenderam as palavras do Apóstolo através de suas explicações: Mas vocês não são animados pela carne, mas pelo espírito, pois o Espírito de Deus habita em vocês ( Romanos 8:9 ). Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus ( Romanos 8:14 ). Alguns de vocês eram assim, mas agora foram purificados, santificados e justos em nome de nosso Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus ( 1Co 6:11 ). ESPÍRITO DE GLÓRIA São Pedro também tratou claramente da intervenção do Espírito Santo sobre aqueles que deram testemunho de Cristo: Bem-aventurados sois vós, se sois insultados por causa do nome de Cristo, porque sobre vós repousa o Espírito da glória, o Espírito de Deus ( 1Pe 4:14 ). (Aleteia)
Bispo do Porto: “Não à violência organizada. Isso não é do Porto”

Manuel Linda afirmou que “não pode haver rancor contra migrantes”. Procissão da Luz encheu de esperança a cidade do Porto. Cerca de mil pessoas acompanharam e viveram intensamente a Procissão da Luz na cidade da Virgem. Esta iniciativa das paróquias e igrejas do Porto, que conta com o apoio da Câmara Municipal do Porto, encheu de esperança a cidade invicta. Esta Procissão com a imagem de Nossa Senhora de Fátima teve lugar na noite de 13 de maio e começou na Igreja da Trindade, tendo passado pelas ruas de Fernandes Tomás, Santa Catarina, Passos Manuel, Praça D. João I, Rua Dr. Magalhães Lemos, Avenida dos Aliados, terminando, de novo, na Igreja da Trindade. No final, no adro da Igreja da Trindade, D. Manuel Linda dirigiu algumas palavras aos fiéis. Declarou que na cidade do Porto não pode haver lugar à “violência organizada”. “Não à violência organizada. Isso não é do Porto”, disse. “Não pode haver rancor contra migrantes”, afirmou o bispo do Porto numa alusão às recentes agressões a migrantes na freguesia do Bonfim na cidade do Porto. Para D. Manuel Linda deve prevalecer “a cultura de respeito pela diferença”. “Não mais violência contra os estrangeiros”, declarou. Na sua intervenção, D. Manuel Linda afirmou também “não à guerra”, sublinhando o valor da paz, lembrando no final da Procissão, que Nossa Senhora é a “rainha da paz”. O bispo do Porto lembrou a “relação umbilical da cidade do Porto à figura da Virgem Maria” com presença em “tantos elementos e símbolos da cidade”. “Mas não é só passado”, salientou. Nesse sentido, D. Manuel Linda, afirmou que os cristãos do Porto têm Nossa Senhora no coração e a sua cultura da paz. Assim, o bispo do Porto referiu o seu “direito à indignação” para denunciar os males da guerra, em particular, o sofrimento das crianças. “Quando a guerra é sofrida pelas crianças é revoltante”, declarou. “Devemos rezar mas também protestar contra os crimes da guerra”. Registo ainda para as palavras do cónego Fernando Milheiro, em representação das paróquias da cidade do Porto, que sublinhou o empenho e apoio da Câmara Municipal do Porto nesta iniciativa. Mas, principalmente, a sua gratidão a Nossa Senhora: “ao colo de Maria temos confiança no futuro”, disse. (Voz Portucalense)