Visita Pascal

Na manhã do Domingo de Páscoa, os grupos da Visita Pascal (“compassos”) percorreram as ruas da Paróquia, anunciando jubilosamente a Ressurreição de Jesus Cristo. Cristo Ressuscitou, Aleluia, Aleluia, foi a mensagem repetida aos paroquianos que, junto à porta das suas residências, receberam e beijaram a Cruz, associando-se assim à alegria do anúncio da Ressurreição. Este ano, além da entrega da habitual pagela da Páscoa, foram também deixadas umas pequenas cruzes (imagem abaixo), um trabalho artesanal das crianças da catequese, com as quais elas quiseram manifestar por pequenas mensagens, mas bastante significativas, o seu sentimento por Jesus Cristo.
A Ressurreição dos vivos

“E quando Se pôs à mesa, tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lho. Nesse momento abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-n’O. Mas Ele desapareceu da sua presença. Disseram então um para o outro: «Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?». Partiram imediatamente de regresso a Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles, que diziam: «Na verdade, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão». E eles contaram o que tinha acontecido no caminho e como O tinham reconhecido ao partir o pão.”Lc. 24, 13-35 Jesus, o Nazareno, depois de ressuscitar não deixa para trás o que foi, mas dá continuidade ao que sempre quis ser. E conseguimos constatar esta continuidade nas feridas que permaneceram em Si, depois de ter sido erguido, ressuscitado, mas também neste seu cuidado em estar à mesa e, mais especificamente, no partir do pão. Jesus que tinha erguido tantos/as, que se tinha dedicado a curar tantos/as e que valorizava como ninguém a comunhão à volta da mesa, é agora, Ele mesmo, o que carrega as feridas para que todos/as O reconheçam, mas também O que se dá a conhecer pelo detalhe, pelo simples detalhe de partir o pão. E, através desta novidade da ressurreição, talvez esta seja a grande mensagem de Jesus, o Nazareno ressuscitado: o impacto que podemos ter na vida é incluir toda a nossa inteireza e permitir, através dos nossos pequenos detalhes, que todos/as possam ressuscitar, isto é, que possam recomeçar sempre! Só podemos efetivamente fazer a diferença na vida dos outros se tivermos relação de intimidade, se formos capazes de ter impacto com os simples detalhes da nossa presença, das nossas palavras e dos nossos gestos. Dar-Se a conhecer pelo partir do pão é dar testemunho da Sua missão: eu quero que se façam pão. Eu quero que sejam alimento. Eu quero sejam vida plenamente doada. Eu quero sejam íntimos e que vos reconheçam num simples detalhe, que me reconheçam em vós na simplicidade do que são. E se este é o Seu testemunho, então somos convidados/as a refletir o que somos e fazemos em Igreja: temos sido pão para quem anda faminto/a de misericórdia, compaixão, empatia e justiça? Temos sido alimento para quem anda faminto/a de presença, de alegria, de esperança e fraternidade? Temo-nos doado plenamente a quem continua a ser rejeitado pela sociedade pela sua condição social, étnica, religiosa e/ou sexual? Temos sido testemunho de simplicidade em que os outros, somente pela nossa forma de ser e de estar, reconhecem que somos praticantes do Seu amor? Hoje, mais do que nunca, na sociedade e na Igreja, precisamos de ser reconhecidos pela forma como partimos o pão. Precisamos de ser íntimos, de nos doarmos por inteiros aos outros e, assim, permitirmos que tantos e tantas sejam erguidos e colocados no centro. Foi isto que Jesus, o Nazareno, fez e é através disto que a Sua ressurreição e a Sua presença ganham sentido, forma e realidade nas nossas vidas. Hoje, antes de regressares para os teus afazeres, questiona-te: o que preciso de ser e fazer para que os outros reconheçam, em mim, a Sua presença? O que posso ser e fazer para que os outros vivenciem a ressurreição dos vivos? (© iMissio)
Sete semanas de Páscoa gloriosa

A Cinquentena Pascal é “o tempo forte” do calendário cristão: cinquenta dias que formam uma unidade com a Quaresma e constituem, para os fiéis, os noventa dias mais densos do ano. O Ano Litúrgico centra-se nesta Cinquentena festiva, vivida e celebrada como se de um só dia de festa se tratasse: um grande Domingo, na expressão feliz de Santo Atanásio. A Quaresma preparou-a e a Noite pascal inaugurou-a. O Pentecostes não será uma festa separada, mas a plenitude e o cumprimento do que a Noite pascal inaugurou: o Espírito que ressuscitou Jesus de entre os mortos. O tempo pascal, deve, pois, ser vivido como uma unidade (a Solenidade da Ascensão integra-se pois, no mesmo espírito e dinamismo) até à tarde do dia de Pentecostes. A reforma litúrgica suprimiu a oitava de Pentecostes, precisamente porque não é esta a festa que se prepara ou se prolonga, mas antes a Cinquentena pascal que se consuma nesse dia. Há, contudo, uma tendência para que a Páscoa quase se fique pela Quaresma. Recordemos que se a Quaresma são quarenta dias, a Páscoa são cinquenta: é mais! Se a Quaresma é a imagem do mundo presente e do tempo que passa, a Páscoa é a antecipação da eternidade, a afirmação do definitivo. O deserto – a Quaresma – é precioso porque conduz à Terra prometida, onde corre leite e mel… E a história, boa mestra, ensina-nos que se a quaresma é uma instituição do século IV, a Páscoa já resplandece como laetissimum spatium (Tertuliano) na vivência cristã do século II! O fundamental emergiu primeiro… Nos nossos dias, em que parece tresmalhado o horizonte do eterno, em que a tensão escatológica se esvaziou (apesar de a Liturgia a manter sempre viva, só que se perdeu o assombro que a reconhece, a insufla e dela se alimenta), a pastoral, inadvertidamente, fez da quaresma a versão presente do mito de Sísifo: empurra-se com fadiga uma pesada pedra até ao cimo de íngreme montanha mas, quando parece ter-se alcançado o cume, eis que o pedregulho resvala de novo até ao vale de onde se partiu e a vida se reduz a uma quaresma sem páscoa. Passada a Vigília e o primeiro domingo de Páscoa – que muitos «fiéis» nem chegam a celebrar porque querem é aproveitar mais umas férias loucas da civilização do vazio –, resvala-se de imediato para o quotidiano rasteiro de um tempo «ordinário» (sem qualquer menosprezo pela preciosidade do Tempo Comum). Importa, pois, um esforço pastoral e uma mudança de mentalidade para combater esta desfocagem. Aliás, é centrando a Páscoa na Cinquentena que captaremos o sentido da Quaresma. Durante este Tempo, tanto as celebrações litúrgicas, como as possíveis formas de oração familiar ou pessoal serão um convite estimulante a entrarmos decididamente na Páscoa do Senhor: na Sua “Passagem” à Vida Nova. Este colorido terá expressão na vida quotidiana. Quer dizer que somos convidados a dar a tudo o que fazemos e vivemos (relações humanas, trabalho, dor e alegria…) uma tonalidade pascal. O que a Páscoa de Cristo significa de vida, novidade, alegria, liberdade deve passar para o dia a dia de cada cristão e informar o seu comportamento, de modo a que ele se torne, no mundo, testemunha da Ressurreição (engrossando, assim, a série ininterrupta das testemunhas que atravessa os tempos). Nesta perspetiva, deixamos algumas sugestões: O Círio Pascal deve ocupar um lugar de destaque, no Presbitério, possivelmente perto do ambão. Só depois do Pentecostes será deslocado para o Batistério. Mas que não seja mais uma velinha (insignificante), acantonada em espaço perdido. Cuide-se da ambientação da igreja: iluminação abundante e flores. Contudo, o bom gosto deve prevalecer sobre a ostentação e a quantidade. Haja música festiva já antes das celebrações (se possível, ao vivo, de órgão ou instrumentos). Música sacra, bem entendido, nova e do valiosíssimo tesouro da Igreja. Nas celebrações haja música instrumental e canto mais abundante. Ressoe na Igreja o louvor cósmico e a adoração do universo ao Vencedor da morte! Dê-se relevo ao canto do Presidente. Para além das aclamações da anáfora e da Liturgia da Palavra, cante-se o Prefácio, ao menos nas celebrações principais. Hoje dispomos da ajuda valiosa do novo Missal, eventualmente complementado pelo livro «O canto do celebrante», editado pelo SNL. Faça-se o rito da aspersão, com mais frequência, em vez do ato penitencial. A sua nova colocação, no novo Missal (entre os ritos iniciais do Ordinário da Missa), facilita e recomenda o seu emprego; aproveite-se para restaurar o antigo uso de água benta à entrada das igrejas e nas casas, como lembrança do Batismo. Use-se a forma solene de Bênção, nomeadamente aos domingos. Nas famílias, permaneça o tom pascal, inaugurado pela visita pascal (compasso), mediante o esforço de cada membro em recriar um ambiente de calorosa convivência e alegria, alimentado pela oração comum. (Secretariado Diocesano da Liturgia)
A alegria do Ressuscitado transforma nossa vida

O Papa Francisco rezou a oração mariana do Regina Caeli nesta segunda-feira da Oitava de Páscoa (01/04), juntamente com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro. Este dia, conhecido como “Segunda-feira do Anjo”, é feriado no Vaticano e na Itália, e recorda o encontro do anjo com as mulheres que foram ao túmulo de Jesus. Ao refletir sobre o evangelho do dia, o Pontífice destacou a alegria das mulheres pela ressurreição do Senhor: “Elas deixaram o sepulcro com grande alegria e correram para dar a notícia aos discípulos”. De acordo com o Papa, essa alegria, que surge do encontro vivo com o Ressuscitado, é uma emoção transbordante que as impulsiona a espalhar e contar o que testemunharam. A vitória da vida sobre a morte Francisco sublinha que “compartilhar a alegria é uma experiência maravilhosa, que aprendemos desde pequenos”. E ao exemplificar com experiências felizes que cada pessoa vive ao longo de sua vida, o Pontífice ressalta que esses momentos nos impulsionam ao desejo de compartilhar imediatamente, assim como “aquelas mulheres, na manhã de Páscoa, que vivenciaram essa experiência de uma maneira muito maior”: “A ressurreição de Jesus não é apenas uma notícia maravilhosa ou o final feliz de uma história, mas algo que muda nossa vida completamente e para sempre! É a vitória da vida sobre a morte, da esperança sobre o desânimo. Jesus rompeu a escuridão do sepulcro e vive para sempre: sua presença pode iluminar qualquer coisa. Com Ele, cada dia se torna uma etapa de um caminho eterno, cada ‘hoje’ pode esperar um ‘amanhã’, cada fim um novo começo, cada instante é projetado para além dos limites do tempo, em direção à eternidade.” A alegria da Páscoa O Papa enfatiza então que a alegria da Ressurreição não é algo distante, mas “está muito próxima de nós, porque nos foi dada no dia do nosso batismo”. Desde então, continua o Santo Padre, “nós também, como aquelas mulheres, podemos encontrar-nos com o Ressuscitado e Ele, como a elas, nos diz: Não tenhais medo!” Francisco convida os fiéis, à semelhança das mulheres mencionadas na passagem bíblica, a cultivarem em seus corações a alegria, ressaltando que isso somente é viável por meio do encontro com o Ressuscitado: “Ele é a fonte de uma alegria que nunca se esgota. Portanto, apressemo-nos a buscá-Lo na Eucaristia, em Seu perdão, na oração e na caridade vivida! A alegria, quando compartilhada, aumenta. Compartilhemos a alegria do Ressuscitado.” “Que a Virgem Maria, que na Páscoa se alegrou com seu Filho ressuscitado, nos ajude a sermos alegres testemunhas”, concluiu o Papa.
Escola da Fé – Abril

No próxima Terça-Feira, dia 2 de Abril, às 21 horas, realiza-se a habitual sessão mensal da Escola da Fé. Tema a desenvolver este mês: São Paulo, o grande missionário do cristianismo.