Procissão da Luz na Cidade da Virgem

Na próxima Segunda-Feira, dia 13, às 21H30, haverá a tradicional Procissão da Luz na Cidade da Virgem, presidida por   D. Manuel Linda, Bispo do Porto. A procissão terá início na Igreja da Trindade, seguindo pelas ruas de Fernandes Tomás, Santa Catarina, Passos Manuel, Praça D. João I, Rua Dr. Magalhães Lemos, Avenida dos Aliados e terminará na Igreja da Trindade. Todos os diocesanos estão convidados a participar.

Sínodo. Portugal: relatório alerta para o clericalismo e destaca papel da mulher na Igreja

A Conferência Episcopal Portuguesa assinala a necessidade de continuar o discernimento sobre alguns temas como a moral sexual e o celibato dos padres. Destaca a importância de integrar a pessoa com deficiência nas comunidades e de dar voz aos pobres. É sugerida a utilização de uma pedagogia sinodal na formação dos ministros ordenados. No passado dia 2 de maio a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) fez publicar o relatório relativo à fase atual do Sínodo iniciado pelo Papa Francisco em 2021. O Relatório de Síntese da primeira sessão da XVI Assembleia Geral do Sínodo dos bispos foi objeto de estudo nas dioceses de todo o mundo. As dioceses portuguesas publicam agora a sua reflexão. O trabalho apresentado foi elaborado pela Equipa Sinodal da CEP da qual fazem parte os seguintes membros: José Eduardo Borges de Pinho, professor jubilado da Universidade Católica Portuguesa; Pedro Vaz Patto, presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz; padre Eduardo Duque, professor da Universidade Católica Portuguesa; Carmo Rodeia, diretora do Serviço Diocesano para as Comunicações Sociais da Diocese de Angra; Anabela Sousa, diretora do Gabinete de Comunicação da CEP e o padre Manuel Barbosa, Secretário e porta-voz da CEP. Clericalismo e resistência a mudanças Ressalta do texto da CEP a preocupação de “continuar a fazer um discernimento sobre algumas questões doutrinais/pastorais que ainda causam dúvida, controvérsia ou desacordo na vida da Igreja”. São elas “a moral sexual, o celibato dos padres, o envolvimento de ex-padres casados, a possibilidade de ordenação de mulheres”. A CEP assinala a existência de “resistência a mudanças” apontando a necessidade de se “continuar a refletir sobre os fatores que motivam a indiferença de muitos, as resistências às mudanças e os caminhos para as ir ultrapassando”. Especial destaque para o reconhecimento de que a “a Igreja continua muito centrada no clero e em alguns leigos ‘clericalizados’. “O clericalismo, que, entre outros aspetos, se manifesta numa conceção de privilégio pessoal, num estilo de poder mundano e na recusa a prestar contas, é um obstáculo sério ao exercício de um ministério ordenado autêntico”, refere o relatório. “O clericalismo atinge também os leigos com responsabilidades na vida da Igreja local e das comunidades. Combater a clericalização do laicado passa muito pela rotatividade nas lideranças e pelo desenvolvimento de metodologias de participação comunitária”, afirma o documento. O papel da mulher na vida eclesial No relatório da CEP é “reconhecida a importância de valorizar o papel das mulheres na vida eclesial e assegurar que possam participar nos processos de decisão”. Para essa participação ser concreta as mulheres devem assumir “papéis de liderança, especificamente nos conselhos pastorais e económicos”. “Deve-se procurar a meta da paridade, reconhecendo explicitamente o contributo crucial das mulheres, não apenas na pastoral e nos ministérios, mas também na missão da Igreja junto das comunidades. Existe uma clara perceção de que a Igreja tem muito a ganhar com uma intervenção mais relevante das mulheres, de um modo particular, no anúncio e na meditação da Palavra de Deus, para uma verdadeira vivência sinodal e reconhecimento pleno dos seus dons e capacidades”, sustenta o documento. Corresponsabilidade, ministérios e juventude Neste documento é sublinhado que a “corresponsabilidade diferenciada na missão de todos os membros do Povo de Deus, de acordo com as vocações, carismas, serviços, e ministérios, deve ser o modelo normal da vida eclesial”. Esta forma de trabalho permite organizar a “Igreja como uma família e não como uma estrutura, criando meios para a valorização da relação fraternal e teologal nas comunidades, assim como a atenção particular a alguns setores: o mundo da saúde, do serviço aos mais pobres e o acolhimento aos de fora”. “Em ordem a implementar um modelo pastoral corresponsável é feita a sugestão de se criar a figura de um ‘coordenador pastoral’ como elo entre o pároco e a comunidade. É sugerida, uma maior celeridade e participação laical nos processos de nomeação dos bispos. Ainda sobre a corresponsabilidade é salientado que se desenvolvam com maior criatividade os ministérios batismais e laicais sendo referido que estes “não devem limitar-se à vida interna eclesial, mas concretizar-se também noutras áreas da vida social que interpelam a responsabilidade cristã no mundo”, como por exemplo nos domínios da doença, do luto, dos refugiados ou dos desempregados. É proposta uma atenção especial aos jovens, considerando que estes devem ser interpelados a serem protagonistas da vida comunitária “assumindo serviços e ministérios, organizando atividades pastorais e integrando-se nas equipas de animação pastoral”. Integrar a pessoa com deficiência e dar voz aos pobres No relatório da CEP é dada especial atenção à integração das pessoas com deficiência, reconhecendo que muitas delas “vivem uma condição de solidão próxima ao abandono, chegando mesmo a sentirem-se invisíveis para a sociedade”. “A Igreja tem a missão de se aproximar” das pessoas com deficiência para “escutá-las, acolhê-las e acompanhá-las, combatendo a cultura do descarte”. “É necessário remover barreiras físicas e atitudinais para uma plena participação de todos”, refere o texto que propõe que “as comunidades cristãs devem integrar pessoas com deficiência nos seus Conselhos Pastorais como forma de reconhecer e valorizar as suas capacidades apostólicas”. Ao mesmo tempo, neste relatório são lembrados os pobres sendo feita a recomendação de “um esforço no sentido de mais proatividade na consciência e prática da caridade”. São sugeridas “formas de integração dos pobres que vão para além do assistencialismo” num esforço que envolva paróquias e Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), refere o documento. Pedagogia sinodal na formação dos ministros ordenados Segundo o relatório da CEP “para uma Igreja sinodal em missão urge reconhecer a necessidade de formação de todos os membros da Igreja. Caminhar juntos requer a capacidade de utilizar uma linguagem comum enriquecida pelos diferentes idiomas que decorrem da diversidade de dons, carismas, vocações e ministérios”. Especial atenção “deve ser dada à formação dos ministros ordenados, incluindo nos planos formativos uma pedagogia sinodal de modo a fomentar capacidades de liderança e evitar mentalidades clericalizadas e clericalizantes. É urgente que a formação seja orientada para a corresponsabilidade”, refere o documento. “A formação a desenvolver deve ser humana e cristãmente abrangente, com

O verdadeiro amigo não abandona, nem mesmo quando você comete um erro

“Um verdadeiro amigo não abandona, nem mesmo quando você comete um erro: ele o corrige, talvez até o repreenda, mas ele o perdoa e não o abandona”. Foi o que disse o Papa Francisco assomando à janela de seu escritório no Palácio Apostólico, Vaticano, para recitar o Regina Caeli com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro. “Hoje, o Evangelho nos fala de Jesus que diz aos Apóstolos: “não os chamo mais de servos, mas de amigos” – diz o Pontífice – ”O que significa isso? Na Bíblia, os servos de Deus são pessoas especiais, a quem ele confia missões importantes, por exemplo, Moisés, o rei Davi, o profeta Elias, até a Virgem Maria. Eles são pessoas em cujas mãos Deus coloca seus tesouros. Mas tudo isso não é suficiente, de acordo com Jesus, para dizer quem somos para Ele: é preciso mais, algo maior, que vai além dos bens e dos próprios projetos: é preciso amizade”. “Desde criança, aprendemos como essa experiência é bela: aos amigos, oferecemos nossos brinquedos e os mais belos presentes – sublinha Papa Francisco – depois, quando crescemos, como adolescentes, confiamos a eles nossos primeiros segredos; como jovens, oferecemos lealdade; como adultos, compartilhamos satisfações e preocupações; como idosos, compartilhamos lembranças, considerações e silêncios de longos dias. A Palavra de Deus, no Livro de Provérbios, nos diz que “o perfume e o incenso alegram o coração e o conselho de um amigo adoça a alma”. Pensemos por um momento em nossos amigos e amigas e agradeçamos ao Senhor!”. ”A amizade não é o resultado de cálculos nem de coerção: ela surge espontaneamente quando reconhecemos no outro algo de nós. E, se é verdadeira, é tão forte que não falha nem mesmo diante de uma traição. O amigo ama em todo tempo”, afirma ainda o Livro dos Provérbios, como Jesus nos mostra quando diz a Judas, que o trai com um beijo: “Amigo, é por isso que você está aqui! O Papa enfatiza novamente: “um verdadeiro amigo não abandona, nem mesmo quando você comete um erro: ele o corrige, talvez o repreenda, mas o perdoa e não abandona você”. E hoje Jesus, no Evangelho, nos diz que, para Ele, somos precisamente isso, amigos: pessoas queridas para além de todo mérito e de toda expectativa, a quem Ele estende a mão e oferece seu amor, sua Graça, sua Palavra; com quem ele compartilha o que lhe é mais caro, tudo o que ouviu do Pai. Até o ponto de se tornar frágil por nós, de se colocar em nossas mãos, sem defesa e sem pretensões, porque ele nos ama, quer o nosso bem e nos quer partícipes do que é seu. E assim perguntemos a nós mesmos, disse o Papa: que rosto o Senhor tem para mim? O rosto de um amigo ou de um de um estranho? Eu me sinto amado por Ele como uma pessoa querida? E qual é o rosto de Jesus que eu testemunho aos outros, especialmente àqueles que cometem erros e precisam de perdão? E Francisco conclui: “que Maria nos ajude a crescer na amizade com seu Filho e a espalhá-la ao nosso redor”.  

VI Domingo da Páscoa

A Palavra de Deus do VI Domingo de Páscoa convida-nos a reflectir sobre o Amor de Deus, um amor que é dom, serviço, doação e missão. I LEITURA (Act 10,25-26.34-35.44-48) Na primeira Leitura, constituída por vários versículos dos Actos do Apóstolos, Lucas relata-nos o episódio da conversão e baptismo do centurião romano Cornélio e de toda a sua família, um acontecimento que marca o momento em que a Igreja primitiva, impulsionada pelo Espírito Santo, se abre aos pagãos, admitindo-os no seu seio em igualdade de condições com os judeus. A inclusão de Cornélio na comunidade cristã deixa bem claro que a salvação anunciada por Jesus Cristo não se destina exclusivamente aos Judeus, mas a todos que, pelo anúncio da Boa Nova, se convertam. O amor de Deus é um amor universal e incondicional, pois Deus não exclui ninguém. O Seu amor não distingue raças ou culturas, é um amor inclusivo, pois Ele quer que todos se salvem porque a todos ama. Os cristãos, pela sua circunstância de seguidores de Cristo, devem assumir uma dinâmica missionária, que passa, necessariamente, pelo anúncio a todos, sem excepção, do Amor de Deus e da salvação oferecida através de Jesus Cristo. II LEITURA (1 Jo 4,7-10) Neste tempo Pascal continuamos a ler a primeira carta de S. João. Nesta segunda leitura, o autor dá-nos a conhecer uma das mais expressivas definições de Deus: DEUS É AMOR. João não se limite a definir Deus como amor, mas apresenta a prova verdadeira que o leva a fazer tal afirmação: “não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados”. É convicção de S. João de que quem não ama não pode conhecer o Deus amor. E conhecer Deus, ou seja, viver uma relação próxima e íntima com Deus, implica deixar que o seu amor se manifeste em nós, principalmente através das nossas obras. Os cristãos, que pelo baptismo são incorporados em Cristo e considerados Filhos de Deus, de um Deus que é Amor, não podem guardar egoisticamente o amor recebido gratuitamente, mas têm a missão de o transmitir por palavras e, sobretudo, por acções concretas de entrega e serviço aos outros irmãos. Evangelho (Jo 15,9-17) O texto do Evangelho de hoje insere-se no discurso de despedida que Jesus fez aos seus discípulos, na véspera da sua Paixão e Morte. Nesse discurso, que teve lugar durante a Última Ceia, Jesus transmite aos discípulos que é o Amor, o mesmo amor com que o Pai o amou e Ele amou os homens, que os identifica com Ele e, ao mesmo tempo, fundamenta a sua missão. Por isso, os discípulos devem permanecer no seu amor, para que assim como Ele permaneceu no amor do Pai cumprindo a sua vontade, também eles permaneçam no Seu amor cumprindo os seus mandamentos. “Que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei” é o mandamento novo dado por Jesus Cristo. O Antigo Testamento dizia que nos deveríamos “amar uns aos outros”, mas Jesus Cristo complementa com “como eu vos amei”, dando-lhe uma nova dimensão. Agora, Jesus propõe como lei o amor, não de uma qualquer forma, mas justamente como Ele nos amou até ao extremo, até dar a sua vida na cruz. Por fim, Jesus disse o que espera dos seus discípulos, quando afirmou “eu vos escolhi e vos designei para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça”. Este é o caminho de discipulado que Jesus espera de todos os baptizados, esta é a missão que Jesus incumbe aos seus discípulos de todos os tempos. Cumprir o mandamento do amor dado por Jesus não é tarefa fácil, pois requer de cada cristão, como “amigo” de Jesus, o compromisso sério de dar testemunho do Amor de Deus e uma capacidade infinita de servir e se dar aos outros. VI DOMINGO DA PÁSCOA

O Altar – Mesa e Ara

«O altar cristão é, pela sua própria natureza, uma mesa especial do sacrifício e do banquete pascal: – ara especial, onde se perpetua sacramentalmente o sacrifício da cruz até ao fim dos sé­culos, até que Cristo venha; – mesa em volta da qual se reúnem os filhos da Igreja, para darem graças a Deus e comun­garem o Corpo e o Sangue de Cristo» (Pontifical da Dedicação da Igreja e do altar [DIA], IV 4). Estas duas dimensões do Altar das nossas Igrejas são indissociáveis porque o Senhor Jesus Cristo instituiu na forma de banquete sacrificial, o memorial do sacrifício que ia oferecer ao Pai no altar da cruz (cf. DIA IV 3). Em diferentes épocas da história do cristianismo privilegiou-se ora um aspeto, ora outro. Assim, desde pelo menos a Alta Idade Média, viu-se preferentemente o altar como ara sacrificial da religião cristã. Uma conceção harmonizada com a perceção religiosa comum da humanidade. Todavia as gerações anteriores privilegiaram o conceito de mesa do Senhor, aliás já presente no NT (1 Cor 10, 21). Porventura terá tido o seu peso a necessidade que os primeiros cristãos sentiram de se demarcar em relação quer ao paganismo circundante, quer ao judaísmo precedente: “Os cristãos não possuem templos nem altares” – lê-se numa antiga apologia dos cristãos (Minúcio Félix, Octavio, 32: Antologia Litúrgica, n. 454). Mas não se tratava, seguramente, de uma mesa qualquer para uma refeição comum: a mesa do Senhor era, por isso mesmo, sagrada. Harmonizando os dois aspetos, tanto a Instrução Geral do Missal Romano como os Preliminares do cap. IV do Pontifical da Dedicação da Igreja e do Altar apresentam-nos o altar como “mesa do Senhor”, “mesa do sacrifício e do banquete”, à volta da qual se reúnem os cristãos para dar graças, realizar o memorial do sacrifício de Cristo e comungarem o Corpo e o Sangue do Senhor. Aliás, a Igreja oferece o memorial do sacrifício de Cristo, como Ele mandou fazer, sob a forma de banquete festivo. Não se trata de renovar o sacrifício de Cristo, único e irrepetível, mas, como bem exprime o texto acima citado, de o perpetuar sacramentalmente «porque todas as vezes que celebramos o memorial deste sacrifício realiza-se a obra da nossa redenção» (SO da Missa da Ceia do Senhor). A reforma litúrgica procurou restaurar este simbolismo original. Mandou que, na medida do possível, o altar fosse separado da parede (Instr. Inter Oecumenici, 91; IGMR 299), que o sacrário deixasse de estar em cima do altar (Instr. Eucharisticum Mysterium, 55), a pedra de ara desapareceu e as relíquias dos mártires ou dos santos já não se colocam sobre a mesa, mas, se for caso, debaixo do altar (DIA IV 11; IGMR 302). Sobre o altar colocam-se o pão e o vinho e, ao menos, uma toalha festiva de harmonia com a estrutura do altar. Estes são os elementos simbólicos do altar que não devem ser confundidos ou escondidos por outros, sejam festivos, sejam funcionais. Entre os elementos festivos devem mencionar-se as luzes e as flores que muito embora se possam colocar sobre o altar, na condição de não estorvarem os elementos principais, ficarão melhor em volta do mesmo (IGMR 304-308). Quanto a elementos funcionais, como o missal ou microfone, colocar-se-ão sobre o altar de forma discreta, de modo que não impeçam os fiéis “de verem facilmente o que no altar se realiza ou o que nele se coloca” (IGMR 307). Sobre o altar não se dispõem nem imagens, nem outros objetos religiosos ou estranhos. Mantém-se, contudo, a tradição de colocar o Evangeliário sobre o altar, donde é levado para a proclamação do Evangelho, no Ambão (IGMR 306). O altar, pelo seu carácter de mesa do sagrado banquete eucarístico, deve reservar-se, exclusivamente, à celebração da Eucaristia. Depois da saudação inicial (beijo), o presidente ocupa o seu lugar na cadeira e só regressa ao altar para a apresentação dos dons. As demais ações litúrgicas e devoções celebrar-se-ão nos lugares previstos e apropriados. Há exceção para a exposição do SS.mo Sacramento, dada a relação da adoração eucarística com o banquete eucarístico. Utilizar o altar para tudo é desfigurar o seu simbolismo e deseducar gravemente o povo de Deus. (Secretariado Diocesano da Liturgia)