Exercícios espirituais – quarta meditação: “Vai e não peques mais”

A reflexão do cardeal Cantalamessa A palavra de hoje a acolher é aquela que Jesus dirigiu à adúltera, depois que os seus acusadores foram embora: “Mulher, ninguém te condenou?” “Ninguém, Senhor.” “Eu também não te condeno. E a partir de agora, não peques mais!”. Cada um de nós, se examinar bem, perceberá que, ao lado dos muitos pecados que comete, há um diferente dos outros. Trata-se daquele pecado ao qual se é secretamente um pouco apegado, que se confessa, mas sem uma real vontade de dizer “chega!”. Santo Agostinho, nas Confissões, nos descreve a sua luta para se libertar do pecado da sensualidade. Houve um momento em que rezava a Deus, dizendo: “Concede-me castidade e continência”. Porém, uma voz acrescentava: “Não imediatamente, Senhor!”. Chegou o momento em que ele gritou para si mesmo: “Por que amanhã”, amanhã? que em latim se diz “cras”. Por que este corvo que diz “cras”? Por que não agora? Foi suficiente que dissesse este “chega!” para se sentir livre. Que se deve fazer concretamente? Colocar-se por um instante na presença de Deus e dizer-Lhe: “Senhor, tu conheces bem a minha fragilidade. Confiando por isso unicamente na tua graça, eu te digo que, a partir de agora, quero dizer “chega” daquela satisfação, daquela liberdade, daquela amizade, daquele rancor, daquele subterfúgio financeiro, enfim, chega daquele pecado que eu e Tu conhecemos bem”. Venho para receber o teu perdão sacramental. Você poderá talvez recair. Poderemos talvez recair mais tarde, mas para Deus algo mudou: a sua liberdade se aliou a Ele. Vocês estão juntos agora a lutar contra o mesmo inimigo. Você verá quanto é mais belo viver livre da escravidão do pecado, em paz com Deus e consigo mesmo!

Adoração ao Santíssimo Sacramento

No próximo dia 23, logo após a Eucaristia da 19H30, terá início uma Adoração ao Santíssimo Sacramento, que se prolongará até às 16 horas do dia seguinte, dia 24 de Fevereiro. A Adoração contará com a orientação de alguns grupos da paróquia que, de hora a hora, enriquecerão este tempo de oração com leituras da Palavra de Deus, meditações, preces e cânticos. Toda a comunidade está convidada a participar.

Oração da Via-Sacra

“Convertei-vos e crede no Evangelho” e “Lembra-te que és pó e ao pó voltarás” (Gn 3, 19) são as mensagens que, na imposição das cinzas, são transmitidas pelo sacerdote, lembrando-nos, na primeira, que a vivência cristã requer uma conversão e, na segunda, a nossa fragilidade humana. A oração, a que somos chamados no tempo da Quaresma, é fundamental para que haja uma conversão, um verdadeiro regresso a uma relação sincera com Deus. A Via-Sacra, pela qual contemplamos o caminho doloroso que Jesus Cristo percorreu para mostrar o grande amor de Deus por todos nós, é um momento de oração que pode contribuir para a concretização da nossa própria conversão. Nesse sentido, todas as Sextas-Feiras do tempo da Quaresma, às 18H45, haverá a oração da Via-Sacra, na nossa Paróquia.

Exercícios espirituais – terceira meditação “Tu crês?”

Nesta semana em que o Papa Francisco e seus colaboradores da Cúria Romana estão fazendo os Exercícios Espirituais da Quaresma, o Vatican News propõe em suas redes sociais X, Facebook, Instagram e WhatsApp uma reflexão por dia, de 19 a 24 de fevereiro, do pregador da Casa Pontifícia, cardeal Raniero Cantalamessa. “Pediram-me para compartilhar com vocês, durante seis dias, uma reflexão de cerca de um minuto. Existem, no mundo, poucas palavras capazes de dizer em um minuto o suficiente para preencher um dia e, de fato, uma vida: aquelas que saem da boca de Jesus. Oferecerei a vocês uma de cada vez, pedindo-lhes que a ‘mastiguem’ durante todo o dia, como se fosse uma goma de mascar da alma”, disse o cardeal Cantalamessa. A palavra a “mastigar” hoje é a pergunta que Jesus dirigiu à irmã de Lázaro, diante do túmulo do irmão morto: “Tu crês?” Deixe de lado por um momento tudo o que você aprendeu de cor com o catecismo e que repete no Credo. Entre naquele âmbito secreto, onde estão só você e Deus. Pergunte-se: Eu creio? Eu acreditei realmente, pessoalmente, e não “por meio de um intermediário”, nem que seja a Igreja universal? São Paulo escreve que “com o coração se crê e com a boca se faz a profissão de fé”. A minha profissão de fé vem realmente do coração? A fé abre horizontes novos; é a única capaz de dar resposta às perguntas eternas do homem e da mulher: “Quem sou? De onde venho? Aonde vou?”. A era eletrônica nos oferece uma imagem inédita da fé: a conexão com a internet. Abra a página do Google e estará conectado! Todo o mundo virtual se abre diante de você. Algo semelhante se obtém com a fé. Sem fios, sem custos. Uma breve oração, um simples movimento do coração, um olhar para a imagem de Jesus que você talvez tenha diante de si, sobre a mesa, e você está conectado! Conectado a um mundo não virtual, mas real. O único realmente real, porque eterno: porque é o mundo de Deus! Experimente e veja se estou dizendo a verdade!”

Jacinta e Francisco!

Celebrámos ontem, dia 20, o dia dos Santos pastorinhos Jacinta e Francisco Marto. Nos tempos de imensa tribulação em que vivemos, estes dois meninos são uma luz acesa traduzida em esperança e em amor. Ensinaram-nos, com a sua vida e com a forma como viveram a própria morte, que tudo se pode transformar em dádiva mesmo quando a tormenta é imensa. Mostraram-nos como ter fé em Deus e como viver essa fé de uma forma totalmente gratuita e entregue. Estas crianças não esperavam a visita de Nossa Senhora, mas tiveram-na. Foram protagonistas de uma das maiores graças do próprio Deus que se fez presente através da presença de uma Mãe capaz de ser sempre colo. Jacinta e Francisco eram crianças pobres e simples. Foram escolhidos para ser testemunhas do próprio Céu, que tantas vezes se dilui com a terra e com as nossas profundas fraquezas e falhas. Trouxeram-nos a mensagem que precisamos, ainda hoje, para viver as nossas vidas. Disseram-nos que a luz de Deus arde, mas não queima nem dói. Disseram-nos que o propósito da vida é entregá-la, sempre, a quem já no-la tinha dado. Somos descendentes das aparições e temos a obrigação de as viver no presente. Somos continuação da “Senhora mais brilhante que o Sol” que se vestiu de luz e de amor para nos salvar a vida tantas e tantas vezes. Salvar-nos, principalmente, de nós próprios e das nossas incredulidades. A santidade da Jacinta e do Francisco vem trazer-nos a possibilidade da nossa própria santidade. É simples viver entregue ao Pai. Basta-nos mergulhar numa constante rendição a um amor que não tem prazo, tempo ou espaço. O milagre que viveram estas crianças, acompanhados também da sua prima Lúcia, vem mostrar-nos que a rocha que nos sustenta é sempre maior do que as ondas galopantes que o mar da vida nos pode trazer. Veio trazer-nos a esperança de dias melhores, mais condizentes com a paz que toda a humanidade tem o direito a viver e a experimentar, seja qual for a sua condição. Não podemos deixar passar este dia e esta celebração em branco. Pedem-nos, estes meninos, que saibamos viver cada dia como se fôssemos uma oração dita pelas mãos do próprio Deus. “Nós estávamos a arder naquela luz que é Deus e não nos queimávamos” (© iMissio)