Bênçãos: para a glória de Deus e a santificação dos homens

As bênçãos são parte integrante dos chamados «sacramentais». Estes chamam-se assim porque, no termo de um processo histórico, se veio a concluir que, apesar das analogias que ostentam com os sete «sacramentos», só podem dizer-se «sacramentos» no diminutivo… «Sacramentalia», isto é, sacramentinhos! Mas nem por isso se desconsiderem! Segundo o Catecismo da Igreja católica, a grande finalidade dos sacramentais é a santificação: ministérios, estados de vida, circunstâncias variadas da vida cristã, o uso de coisas úteis ao homem… As bênçãos têm assim uma finalidade geral comum a todas as ações litúrgicas: a santificação do homem e a glória de Deus. Elas são memorial da Bênção divina da Criação e da Redenção e, ao mesmo tempo, epiclese da nova Criação e do Reino (nº 1688). Em que consiste esta «salvação» do homem? Simplificando, podemos dizer que a «salvação» aparece-nos na celebração das bênçãos como promo­ção do homem na integridade do seu ser e da sua vocação. Ao homem «desintegrado» pelo pecado – e por isso em processo de desagregação, corrupção e morte – a bênção contrapõe um homem íntegro e integrado na sua relação com o mundo, com os outros homens e com Deus. Em vez da divisão e do conflito, a unidade e a paz; em vez da morte, a vida. Uma das características que singulariza a Celebração das Bênçãos [= CB], em confronto com os seus antecedentes do Ritual e Pontifical Romano é a precedência que nele se dá as pessoas sobre as coisas. De facto, a primeira das suas cinco partes é toda dedicada às «bênçãos que se referem mais diretamente às pessoas». As numerosas bênçãos de coisas ou lugares relacionados com a atividade humana ou com a piedade e o culto, em última análise visam as pessoas «que utilizam essas coisas e atuam nesses lugares»: «Na verdade, o homem, em cujo favor Deus quis e fez boas todas as coisas, é o recetáculo da sua sabedoria, e por isso, com a celebração da bênção, o homem pretende manifestar que utiliza de tal modo as coisas criadas que, com o seu uso, busca a Deus, ama a Deus e serve fielmente o único Deus» (CB 12). O Bendicional promove assim a assimilação de uma antropologia radicalmente bíblica que vê o homem como o único ser da criação que Deus quis por si mesmo: nisso consiste a sua dignidade de pessoa, imagem e interlocutor do próprio Deus. O ser humano está, assim, vocacionado para ser o louvor perene e a voz da criação que sem cessar suscita no seu coração e nos seus lábios o «elogio» do Criador magnífico. Na celebração das bênçãos sempre se exprime a vocação do homem à santidade (CB 9). Mas isso não comporta necessariamente uma «sacralização» de pessoas e coisas. Prescindindo das poucas bênçãos chamadas «constitutivas», pelas quais se subtrai de modo perma­nente uma pessoa/lugar/coisa ao uso profano dando-lhe uma destinação cultual, as bênçãos não mudam a realidade profana de uma coisa, mas antes exprimem a finalidade da mesma ao serviço de Deus, finalidade essa que implica sempre uma resposta positiva por parte do homem: a santidade. O Catecismo da Igreja católica explica: «as bênçãos… compreendem, ao mesmo tempo, o louvor a Deus pelas suas obras, e a intercessão da Igreja para que os homens possam fazer uso dos dons de Deus segundo o espírito do Evangelho» (CatIC 1678). A plena eficácia das bênçãos pressupõe que os fiéis as celebrem com reta disposição de espírito: «Aqueles que pedem a bênção de Deus por meio da Igreja devem fortalecer a sua disposição de espírito naquela fé para a qual nada é impossível; apoiem-se na esperança, que não ilude; e sobretudo sejam vivificados na caridade, que impele a observar os mandamentos de Deus» (CB 15). É por isso que o Ritual sente a necessidade de explicar que nem sempre há lugar para a bênção e que cada celebração se deve submeter a um justo critério pastoral, sobretudo se pode provocar estranheza ou, até, escândalo. Tal seria o caso se se pretendesse «cobrir» com uma bênção coisas, lugares ou circunstâncias que estejam em contradição com as normas e o espírito do Evangelho (CB 13, 1245). A pessoa que bendiz e abençoa é alguém que se reconhece pobre. Mesmo quando se alegra ao descobrir-se abençoada, ao reconhecer-se como recetáculo e destinatária dos bens criados, ela sabe que não é dona, autora, produtora. E, por isso, bendiz, confessa, agradece. E é assim a Igreja que canta o Magnificat: pobre e humilde, comunidade dos crentes sabe-se abençoada porque está em comunhão com Cristo Ressuscitado, o vencedor. E, uma vez abençoada, bendiz e torna-se bênção: os pobres, os desamparados experimentam, na sua comunhão de amor, a bênção que os levanta e sacia. E por isso bendizem a Deus. (Secretariado Diocesano da Liturgia)

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

Na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que decorre de 18 a 25 de Janeiro, realizam-se as seguintes celebrações: 19 de janeiro, 21h00, Celebração Ecuménica Nacional (com os hierarcas das Igrejas) Paróquia N. Senhora de Lurdes, Coimbra 21 de janeiro, 16h00, Celebração Ecuménica Mosteiro de Bande, Paços de Ferreira 24 janeiro, 21h30  Oração de Taizé Igreja de Vilar, Porto 25 de janeiro, 21h30, Celebração Ecuménica – Grande Porto (Celebração Diocesana com os hierarcas) e lançamento do Roteiro Ecuménico de Oração 2024 –  Paróquia Lusitana do Redentor, Rua Visconde de Bóbeda, 54, Porto O tema escolhido para esta semana é «Amarás ao Senhor teu Deus…e ao teu próximo como a ti mesmo»(Lucas 10, 27). Os materiais para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2024 foram preparados por uma equipa ecuménica do Burkina Faso, coordenada pela Comunidade Chemin Neuf (CCN) [1] daquele país. O tema escolhido é «Amarás o Senhor teu Deus… e ao teu próximo como a ti mesmo» (Lc 10, 27). Os irmãos e irmãs da Arquidiocese Católica de Uagadugu, das igrejas protestantes, dos órgãos ecuménicos e da CCN do Burkina Faso colaboraram generosamente na elaboração das orações e reflexões e vivenciaram o seu trabalho em conjunto como um verdadeiro caminho de conversão ecuménica. Amar a Deus e ao próximo no meio de uma crise de segurança O Burkina Faso está localizado na África Ocidental, na região do Sahel, que inclui os países vizinhos do Mali e da Nigéria. A sua área é de 174.000 km² e tem 21 milhões de habitantes, com cerca de sessenta etnias. Em termos religiosos, aproximadamente 64% da população é muçulmana, 9% adere às religiões tradicionais africanas e 26% é cristã (20% católica, 6% protestante). Estes três grupos religiosos … (+)

Anunciar o Evangelho não é tempo perdido

Um cristão que não é ativo, que não é responsável pelo trabalho de proclamar o Senhor e que não é o protagonista de sua fé não é um cristão ou, como minha avó costumava dizer, é um cristão do tipo “água de rosas”: disse o Santo Padre no Ângelus ao meio-dia deste domingo, 21 de janeiro, III Domingo do Tempo Comum e quinto Domingo da Palavra de Deus. Comentando o Evangelho do dia, Francisco ressaltou que o mesmo narra a vocação dos primeiros discípulos (cf. Mc 1,14-20). Chamar outros para se juntarem à sua missão é uma das primeiras coisas que Jesus faz no início de sua vida pública: Ele se aproxima de alguns jovens pescadores e os convida a segui-Lo para “tornarem-se pescadores de homens”. E isso nos diz algo importante – observou: o Senhor ama nos envolver em sua obra de salvação, quer que sejamos ativos com Ele, responsáveis e protagonistas. O Senhor continua acreditando em nós, isso é maravilhoso Ele não precisaria disso, mas o faz, mesmo que isso signifique assumir muitas de nossas limitações. Olhemos, por exemplo, para a paciência que teve com os discípulos: frequentemente não compreendiam suas palavras, às vezes discordavam entre si, por muito tempo não conseguiam aceitar aspectos essenciais de sua pregação, como o serviço. No entanto, Jesus os escolheu e continuou a acreditar neles. Mas isso é importante, o Senhor nos escolheu para sermos cristãos. E nós somos pecadores, aprontamos uma atrás da outra… Mas o Senhor continua a acreditar em nós, a acreditar em nós. É maravilhoso isso do Senhor. Anunciar o Evangelho não é tempo perdido De facto, prosseguiu o Pontífice, trazer a salvação de Deus a todos foi a maior felicidade de Jesus, sua missão, o sentido de sua existência entre nós. E em cada palavra e ação com as quais nos unimos a Ele, na bonita aventura de doar amor, a luz e a alegria se multiplicam: não apenas ao nosso redor, mas também dentro de nós. Anunciar o Evangelho, portanto, não é tempo perdido: é ser mais feliz ajudando os outros a serem felizes; é libertar-se de si mesmo ajudando os outros a serem livres; é tornar-se melhor ajudando os outros a serem melhores! Chamado a conhecer e testemunhar Jesus  Francisco concluiu deixando-nos algumas interrogações para nossa reflexão pessoal. Então, perguntemo-nos: eu paro de vez em quando para recordar a alegria que cresceu em mim e ao meu redor quando aceitei o chamado para conhecer e testemunhar Jesus? E quando rezo, agradeço ao Senhor por ter me chamado para tornar os outros felizes? Por fim: desejo fazer com que outras pessoas experimentem, por meio do meu testemunho e da minha alegria, quão bonito é amar Jesus?

III Domingo do Tempo Comum

A Palavra de Deus do III Domingo do Tempo Comum continua a falar-nos da vocação e diz-nos que o caminho a seguir para responder ao chamamento que Deus faz a cada um de nós é o de conversão pessoal e de identificação com Jesus Cristo. I LEITURA (Jn 3,1-5.10) A primeira Leitura fala-nos de Jonas que, depois de resistir a um primeiro chamamento, acaba por aceitar a missão de ser porta-voz de Deus para anunciar aos habitantes de Nínive a destruição da cidade. Nínive era a capital da Assíria, um país inimigo dos Israelitas, cujos habitantes se deixaram corromper por práticas de idolatria, um pecado reprendido e punido por Deus. Quando se esperava que a advertência de Deus não teria qualquer repercussão, sucedeu que os habitantes de Nínive se arrependeram da sua conduta, fizeram penitência e converteram-se, o que fez Deus desistir da sua intenção. Deus não quer a morte dos pecadores, mas que estes se convertam, vivam e consigam alcançar a salvação. O objectivo do autor deste texto é o de salientar a misericórdia de Deus e o facto de que Ele ama todos os homens, sem excepção, e, ao mesmo tempo, colocar em relevo a disponibilidade dos habitantes de Nínive para escutar Deus e, em resposta, percorrerem o caminho de conversão. Este texto deve fazer-nos reflectir sobre a nossa disponibilidade para responder ao chamamento de Deus, bem como sobre a nossa capacidade de usar o amor e o perdão em todas as circunstâncias da nossa vida. II Leitura (1 Cor 7, 29-31) Na breve passagem da carta que dirigiu aos Coríntios, S. Paulo diz-lhes que “o tempo é breve … o cenário deste mundo é passageiro”, pelo que as suas motivações não devem ser as realidades terrenas, mas sim as eternas. Na verdade, as coisas mundanas devem ser relativizadas e não absolutizadas, porquanto são todas efémeras, pelo que os Coríntios devem dar maior importância a tudo o que conduz a uma realidade definitiva, à vida eterna. Paulo considera que o casamento, a alegria, a tristeza, a posse, assim como o contrário de tudo isto, pertencem a uma realidade de vida provisória e, por isso, perdem importância perante a definitiva. Na verdade, o que Paulo transmitiu aos Coríntios, há mais de vinte séculos, continua a fazer sentido no tempo actual. Hoje também temos a tendência de considerar definitivo o que é somente provisório, esquecendo que o absoluto nesta vida é o Deus Amor, que se revela em Jesus Cristo, e os valores do Reino. A nossa existência é simplesmente uma peregrinação e, por essa razão, devemos ter sempre presente a nossa direcção e o final do caminho. Evangelho (Mc 1,14-20) O Evangelista Marcos, que nos acompanhará na grande maioria dos domingos deste ano litúrgico, relata-nos o princípio da missão messiânica de Jesus Cristo e o chamamento dos primeiros apóstolos. As primeiras palavras de Jesus, segundo Marcos, foram: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho». Jesus diz que é chegada a altura estabelecida por Deus para dar cumprimento às suas promessas de salvação de toda a humanidade e anuncia o estabelecimento do Reino de Deus, um mundo novo, de paz e de amor. Mas para que isso aconteça, Jesus apresenta duas condições: “Arrependei-vos e acreditai no Evangelho”. Arrepender-se, que é essencial a uma verdadeira conversão, significa mudar de vida, aproximar-se de Deus, e acreditar no Evangelho significa acolher e crer na Palavra de Deus e viver em conformidade com ela. Para colaborar na sua missão de anunciar e construir o Reino de Deus, Jesus chama os quatro primeiros discípulos, Simão e seu irmão André, Tiago e seu irmão João, todos pescadores, homens pobres e simples, que acolheram o chamamento, deixaram tudo e seguiram-No. Hoje, Jesus também nos chama a segui-Lo, a ser seus discípulos, a colaborar com Ele na propagação do Evangelho e na construção do Reino de Deus. E nós, como respondemos? Será que respondemos de forma incondicional e com a mesma radicalidade dos quatro primeiros discípulos? Será que aceitamos o convite para lançar as “redes do Evangelho”, tornando-nos em “pescadores de homens”? III DOMINGO DO TEMPO COMUM

O Senhor não quer “followers”, não a uma fé feita de hábitos

‘O Senhor não quer fazer prosélitos, não quer ‘followers’ superficiais, mas pessoas que se questionem e se deixem-se interpelar pela sua Palavra”. Foi o que disse o Papa Francisco no Angelus deste II Domingo do Tempo Comum na Praça São Pedro, comentando o Evangelho do dia que fala do encontro de Jesus com os primeiros discípulos. “Esta cena – sublinhou Francisco – convida-nos a recordar do nosso primeiro encontro com Jesus – cada um teve o primeiro encontro com Jesus -, a renovar a alegria de segui-Lo e a perguntarmo-nos: o que significa ser discípulos do Senhor? Segundo o Evangelho de hoje podemos tomar três palavras: procurar Jesus, morar com Jesus, anunciar Jesus”, disse o Papa. “Para sermos discípulos de Jesus é preciso antes de tudo procurá-lo, ter um coração aberto, em busca, não saciado ou satisfeito. Nós somos seus discípulos na medida em que o frequentamos, ouvimos a sua Palavra, dialogamos com Ele na oração, O adoramos, O amamos e o servimos nos irmãos. Em suma, a fé não é uma teoria, é um encontro, é ir e ver onde o Senhor mora e morar com Ele”. Procurar, morar e, finalmente, anunciar. Esse primeiro encontro com Jesus foi uma experiência tão forte que os dois discípulos se recordaram para sempre da hora: “eram cerca de quatro horas da tarde”. E seus corações estavam tão cheios de alegria que imediatamente sentiram a necessidade de comunicar o dom que haviam recebido. De fato, um dos dois, André, apressa-se em compartilhá-lo com seu irmão Pedro. Irmãos e irmãs, também nós hoje recordemos do nosso primeiro encontro com o Senhor. “Cada um de nós teve o primeiro encontro, seja dentro da família, seja fora dela… Quando encontrei o Senhor? Quando o Senhor tocou meu coração? E nos perguntemos: ainda somos discípulos apaixonados, procuramos o Senhor ou nos acomodamos em uma fé feita de hábitos? Moramos com Ele na oração, sabemos ficar em silêncio com Ele? E, enfim, sentimos a necessidade de compartilhar, de anunciar esta beleza do encontro com o Senhor? E Francisco concluiu: “Que Maria Santíssima, a primeira discípula de Jesus, nos conceda o desejo de procurá-Lo, de estar com Ele e de anunciá-Lo”.